
Ser: poeta
Necessito traduzir o ser
acumulado de segredos e memórias,
que, sedento, procura o idioma
do assombro, do enlevo e da náusea.
Preciso revelar o ser
que há muito enfrentou o espelho:
parceiro de incertezas,testemunha de entregas.
Reclamo a expressão do ser
que não é grafite, carvão ou giz,
nem tinta, paleta e pincel,
nem mármore, cinzel e buril.
Não é desenhos do corpo no ar,
nem máscara de riso e de choro,
não é figuras animadas no vinil,
nem captura da linha do horizonte.
Não é som, agudo ou grave,
nem contralto, nem soprano,
não é clave, batuta e notas,
nem cordas, baquetas e sopros.
É urgente dar voz ao ser
que é apenas inquietude e palavras.
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